quarta-feira, 2 de março de 2011

Filmes que ninguém lembra

Moscou em Nova York

Não posso considerar-me cinéfilo, pois isso talvez exigisse um pouco mais de conhecimento que tenho acerca do tema, mas gosto muito de cinema. Uma das únicas coisas na minha vida com qual sou paciente é com filmes, sou capaz de assistir (sem dormir) qualquer filme, desde o mais Blockbuster até um mega alternativo - se vou gostar aí já e outra história. Quero inaugurar aqui nesse blog que ninguém lê a seção "Filmes que ninguém lembra", são longas que fortuitamente acabei assistindo e me surpreenderam positivamente de alguma forma.

Inicio com um que jamais conheci outra pessoa que o assistiu – infelizmente – pois o filme é muito bom. É um dos primeiros filmes de Robin Williams e chama-se Moscou em Nova York (1984). Só como registro, vi esse filme no Canal 21, na época que não era só Polishop ou Shop Tour.

O filme conta a história de um saxofonista russo, em plena União Soviética, que vem fazer uma turnê nos EUA e acaba desertando e se estabelecendo em Nova York. O mais legal desse filme é que ele trata temas muito pesados, como Guerra Fria, Socialismo, Capitalismo, Clandestinos e Sonhos de um modo bem humorado e inteligente. O música foge de sua companhia de música e se esconde numa loja de departamento gigante (bem americana). Os agentes da KGB tenta pegá-lo mas ele é auxiliado por um segurança negro da loja. Após isso o russo mora provisoriamente com esse vigia até achar um local que possa morar. Ele começa tocar sax a noite como forma de ganhar dinheiro e acaba se envolvendo num mundo paralelo de imigrantes clandestinos que vieram aos EUA em busca do sonho de uma vida melhor. O filme é muito feliz ao retratar esse universo alternativo dentro de uma metrópole cosmopolita como NY, me arrisco a dizer que foi o único filme que soube abordar o assunto sem transformar o clandestino num pobre coitado ou em uma sub-raça responsável por tudo de podre que acontece na cidade. São pessoas vindas de todas as partes do mundo que se "viram nos 30" para ganhar um dinheiro e quem sabe conseguir um Green Card. Apesar de conviverem no mesmo palco da sociedade oficial americana geralmente sua relação acaba ficando restrita com os que dividem a mesma situação.

O músico russo passa por diversas situações durante o filme, inicia no auge da descoberta de tudo que é nova e diferente para ele que vivia em um país fechado economicamente. Apaixona-se por uma italiana e engata um namoro com a moça. Em um certo momento do filme essa sua namorada consegue o Green Card e só pelo fato de ela acabar se considerando uma cidadã americana o relacionamento entra em crise e começa o declínio de sua vida na America. Nesse período ele começa traçar uma comparação entre sua situação na Russia e nos EUA. Tem uma parte, que para mim é o auge do filme, que ele é assaltado por uns adolescentes. Ele chega a um bar indignado e desabafa irritado com o dono do estabelecimento que também é seu amigo: Como pode? Crianças com uma faca me assaltando. Isso que vocês chamam de liberdade? No meu país isso jamais aconteceria. Nisso levanta-se outro russo e diz: Não repita isso. Aqui é a terra da liberdade.De repente todos do bar, estrangeiros, começam a cantar o hino americano.