terça-feira, 23 de novembro de 2010

O choro dos que correram pelos pontos corridos

"Se todas agissem pensando no bem estar coletivo, viveríamos em um país bem melhor" Essa frase é tão lógica quanto utópica. É claro que o mundo seria melhor se agíssemos todos dentro de um código de ética comum, mas acontece que ser individualista é da natureza humana, portanto dependendo do meio cada qual buscará o seu interesse ou o interesse dos seus. E não me venha falar que o inglês ou o sueco são diferentes, talvez devido aos acontecimentos que ocorreram em suas histórias construíram leis mais justas e funcionais, mas quando se coloca o cu de qualquer um na reta, cada qual vai tirar o seu da forma que convém. São poucos os ilustres personagens que colocaram sua vida em favor do coletivo. No geral o que vale é o que eu disse no texto anterior – ética só se cobra dos outros. Notem em seu dia-a-dia que as pessoas são complacentes com os desvios próprios ou do seu grupo e implacáveis com as falhas de terceiros. Discursos mudam conforme a maré: "O FHC é um neoliberal FDP que fica ajudando os banqueiros... malditoooo!"; "Na verdade essa ajuda do governo Lula aos bancos é uma medida estratégica para evitar a quebradeira da bolsa de valores e evitar a recessão".
Agora vamos à paixão nacional, ao futebol. Até 2003 vigorava no campeonato nacional o sistema mata- mata na decisão, ou seja, os 8 primeiros confrontavam-se entre si até sair o campeão na grande final. Nossos ilustres reformistas do futebol nacional bravavam: "essa é uma fórmula injusta atrasada, em toda Europa disputa-se os pontos corrido, aqui não beneficiamos o time de melhor campanha." Outra reclamação: "para o time que não se classifica, acaba o ano e isso desmotiva e esvazia os estádios." Por ironia do destino, o último campeão desse sistema foi o Santos em 2002, que com um time econômico e de garotos (Robinho, Diego, etc), classificou-se em 8º lugar e mostrou força de decisão, vencendo de forma honrosa o campeonato.
Pois bem, em 2003 iniciamos o sistema de pontos corridos, onde o Cruzeiro sagrou-se campeão. Para um povo acostumado com a emoção do mata a mata, foi um campeonato longo e chato, com times desinteressados nas últimas rodadas. A salvação do brasileiro foi justamente a supervalorização da Libertadores da América (mata-mata), que nas competições seguintes sustentaram a disputa por vagas até nas últimas rodadas. Ocorre que essa supervalorização foi tão acentuada que o título de "Campeão Nacional" acabou sendo muito preterido. Parece que hoje o grande objetivo dos times no país é chegar a Libertadores, portanto ser campeão nacional ou regional transformou-se num bônus. Os times encontraram em campeonatos antes pouco importantes como Copa do Brasil e Sulamericana (mata-mata) um modo mais rápido e lucrativo de chegar a Libertadores – fácil por ser poucas rodadas e lucrativo por atrair grande atenção dos torcedores. Um time campeão da Copa do Brasil no primeiro semestre tem pouco interesse no campeonato Brasileiro; um time que chega as finais da sulamericana, também deixa de lado o chato brasileirão; e um time que está na Libertadores abre mão do regional, e avançando as finais do início do campeonato brasileiro e se campeão for, do resto do campeonato nacional. O que temos hoje é um campeonato regional totalmente sem valor e um brasileirão longo, chato e desinteressante para times que não tem chance ou que por outros meios já chegaram a Libertadores.  
A discussão voltou a tona com a chance do Corinthians ser campeão de 2010, principalmente por tratar-se do ano de seu centenário. Coincidentemente o time depende de resultados de terceiros, sendo que esses terceiros são seus maiores rivais regionais: Palmeiras e São Paulo. Ambos os times não tem mais ambição no campeonato nacional, além de manter uma acirrada e histórica richa, o que da graça no futebol.  Muitos dos cronistas esportivos são corintianos e como tal, cobram dos rivais dedicação nesses jogos e estão antecipadamente indignados com a falta de ética no futebol nacional.
Thomas Rafael da rádio Transamérica diz que não existe justiça num campeonato de pontos corridos onde há times que não jogam com dedicação até as partidas finais. Que isso só da certo na Europa com pessoas evoluídas.  
Juca Kfouri da CBN e ESPN afirma estar claro que Palmeiras e São Paulo irão entregar seus jogos e que essas atitudes anti-desportivas são tradicionais do nosso esporte.
Amigos. Não me venham com esse papo fiado.  Esse é o campeonato que vocês queriam, não adianta agora querer que o Palmeiras coloque todos os titulares e dê o sangue para ajudar o Corinthians. Se estivéssemos disputando as emocionantes finais que tínhamos num passado recente essa discussão não existiria. Agora segura a bronca. O meu time Palmeiras, por exemplo, além de razões passionais, está disputando um campeonato que também leva a Libertadores e que está bem empolgante por sinal. É a chance de o time, com um elenco reduzido e limitado, salvar o ano e comemorar um campeonato, com a legitimidade de na final (se passar) poder enfrentar tradicionais times da América do Sul. Não há motivos para despender esforços contra o Fluminense. Ninguém reclama quando no Campeonato Paulista ou no início dos Brasileiro alguns times poupam seus titulares, porque reclamar agora? Outra coisa, não querer que um rival seja campeão não é falta de ética, falta de ética é comprar resultados, manipular tabela de campeonato, etc. Eu, por exemplo, não conheço nenhum torcedor do Fluminense, agora Corintianos são inúmeros e todos esses sabem que sou palmeirense, se o Corinthians for campeão vou agüentar tiração de sarro por eras, já se o Fluminense for no máximo e assistir no fantástico a comemoração do time. Não creio que jogadores profissionais entrem para entregar resultados (sem levar nada), mas a má vontade existe sim e é normal porra! Isso é futebol!
Se queremos um bem para o verdadeiro futebol nacional, clamemos pela volta do campeonato mata-mata! Não existe nada como a semana pré-jogo decisivo, os comentários, as especulações e a tensão. Nada substitui os confrontos decisivos, sem aquela de 3 pontos contra o Goiás valerem os mesmos contra o São Paulo. Justo é o time depender só dele e se mostrar mais competente em um confronto onde só um seguirá. Ressuscitemos a graça de nossos campeonatos que foram emplastificados em um padrão que não é o nosso. Se alguém tem mudar, que mudem os europeus e aqueles campeonatos nacionais chatos e longos com campeões previsíveis. Coincidência ou não, depois dos pontos corridos no Brasil, nossa seleção acumulou duas pipocadas feias em Copa do Mundo.
Adendos
Os europeus não são tão éticos assim. Recentemente houve na Itália um escândalo de manipulação de resultados envolvendo árbitros e jogadores. Na Inglaterra os principais times foram vendidos e alguns para mafiosos, que enxergam o futebol como um ótimo meio para lavar dinheiro.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Operação Pão e Circo

Quando pesquisas anunciam um índice de quase 80% de aprovação do governo, alguns (os outros 20%) devem se perguntar: Será que o Brasil transformou-se no Canadá e eu não to sabendo?

Não caro amigo, o Brasil não se transformou no Canadá, pelo contrário, ainda temos índices de desenvolvimento humano bem abaixo de países também em desenvolvimento, que acontece é que o povo brasileiro está se sentindo satisfeito e os louros são colhidos pelo presidente. E por que o povo está satisfeito sendo que ainda existem os mesmos problemas sociais? Essa é uma resposta um pouco complexa, pois a sensação muitas vezes não ta ligada ao que é de fato, mas ao que parece ser, sendo assim surpreendentemente o futebol acaba tendo seu papel, pois uma vez que o sujeito está contente com seu time ou sua seleção tem ele a impressão de que tudo mais também está bom. Para se ter uma idéia a Copa de 1978 realizada na Argentina foi marcada por uma série de escândalos de arbitragem e suspeitas de compra de resultados. Na época o país era governado pelo General Videla, representante de uma ditadura militar cruel que meteu o país em aventuras desastrosas como a Guerra das Malvinas. A conquista da Copa daquele ano foi essencial para manter a popularidade do regime na ocasião, pois o futebol tem a capacidade de mexer com a auto-estima de um povo. E a FIFA nessa história? É óbvio que colaborou, ou alguém acha que a associação não ganha nada com isso.

Ciente dessa verdade o governo brasileiro tem trabalhado de forma irretocável no que tange o continuísmo no poder, além do marketing eficiente ao supervalorizar obras e resultados econômicos, costurou alianças políticas dentro de instituições que cuidam do esporte nacional, dentre elas a CBF, que cuida do precioso futebol.

O Brasil conseguiu (sabe-se lá a que preço) eleger-se sede da Copa do Mundo de 2014, além das Olimpíadas de 2016. O povo brasileiro tem aparentemente um complexo terceiromundista - por assim ser taxado durante um bom tempo (hoje essa expressão está em desuso). Ser eleito, entre muitos, como país sede de um evento dessa magnitude desperta orgulho e sensação de "chegou nossa vez". Desde então a CBF conquistou um status estratosférico de poder. Podemos considerar que hoje, Ricardo Teixeira, presidente (dono) da CBF, é depois de Lula o homem mais assediado do país. Nessa dura batalha por um espaço "no saco" do homem, Andrés Sanches, presidente do Corinthians saiu na frente e já vem colhendo suculentos frutos. Apoiador do candidato de Ricardo Teixeira na eleição do clube dos 13, onde os demais clubes grandes colocaram-se contra, Andrés já foi posto de cara como chefe da delegação brasileira na Copa de 2010 na África do Sul, onde de lá mesmo já havia garantido – o Morumbi não sediará a Copa de 2014. Como poderia ele adiantar um parecer que a Fifa ainda estava analisando? Simples. Ele já sabia que quem vetara o Morumbi fora a própria CBF e todo jogo de cena, com as exigências rigorosas da Fifa, era só para legitimar a construção de um novo estádio – o Fielzão.

É fato que parte dinheiro da construção do estádio será de origem publica e tanto o Corinthians, a CBF e o governo sabem disso, tanto que o estádio foi escolhido como abertura da Copa antes mesmo de qualquer vistoria ou garantia financeira. A FIFA vai aprovar quem a CBF indicar. Essa história de que o time está buscando parceiros na iniciativa privada ou que irá vender o Naming Rights por uma fortuna é tudo parte de um grande enredo de novela das 8, onde todo mundo sabe o final.  A torcida do Corinthians, 2ª maior do Brasil, não quer nem saber se o dinheiro vem do Papa ou do Osama, quer mesmo um estádio próprio e estão comemorando e santificando o Andrés Sanches, afinal, só chora o leite quem está sem teta. Coincidentemente o time que também comemora seu centenário neste ano, além de ganhar um estádio, caminha para ganhar o campeonato nacional e para isso vem sendo ajudado sucessivamente pela arbitragem em jogos chaves. Há o argumento –erros ocorrem para todos os lados – mas quando ocorre insistentemente para 1 só lado há que se desconfiar, temos o Brasileirão de 2005 como precedente.

Mas o importante de tudo isso é que o povo ta feliz né! Dane-se que tem corrupção, o importante mesmo é que o Brasil será sede da Copa de 2014 e o Timão terá um estádio novo não é mesmo.  


terça-feira, 9 de novembro de 2010

B.O.P.E.

A revista Veja desta semana fala sobre o sucesso do filme Tropa de Elite e do seu personagem principal, Capitão Nascimento, que segundo a publicação é o primeiro Super Herói do cinema brasileiro. Assisti ao filme há umas duas semanas atrás e até esbocei um texto ao seu respeito, que acabei descartando, pois acabei viajando demais e fugi totalmente do tema.
Os críticos e os cineastas brasileiros em geral torcem o nariz para o filme assim como o fazem para outras produções de grande sucesso de público. Isso por dois motivos:
- Os cineastas brasileiros em geral acreditam que os bandidos são vitimas de uma sociedade cruel a preconceituosa que encontram no crime a única forma de dar o troco aos opressores. São heróis de uma legião de pobres marginalizados, como foi Lampião. Alegam que Tropa de Elite é apelativo, repleto de violência barata e previsível e que capitão Nascimento nada mais é que um personagem fascista, reacionário e truculento.
- Em segundo lugar, e talvez o principal motivo, é que o filme é sucesso de bilheteria. Cineastas têm aversão a sucessos de bilheteria. Atrair tanta gente, meros "burgueses assalariados", às salas de cinema, é condição sine qua non para considerar qualquer filme "comercial" e de péssima qualidade. Mas isso era coisa de "cinema hoolywoodiano" e não do marginal cinema nacional, por isso a revolta contra Tropa de Elite.
Na contra-mão do que consideram os critico, o filme foi aclamado com mérito pelo público brasileiro. Na sala que assisti a reação foi unanime, todos sairam satisfeitos com o filme e ao mesmo revoltados com os rumos de nosso país. Ninguém foi ao cinema esperando belas metáforas ou técnicas vanguardistas de filmagem, as pessoas queriam assistir a própria realidade mostrada de modo franco, sem aquela papagaiada de "subjetividade das verdades humanas". Cada um na sua poltrona, que paga impostos compulsoriamente, que teme parar em faróis durante a madrugada, que tem sua rotina de alguma forma afetada pela violência e está cansado de ver policiais envolvidos em crimes, se sentiu na pele do Capitão Nascimento espancando um político bandido ou entrando em desespero ao se deparar com a insolúvel rede de corrupção instaurada em todas as esferas do poder.
O surpreendente é que ao contrário do que imaginam nossos intelectuais, não só a classe média se entusiasmou com o filme, mas também os moradores da periferia, testemunhas reais e oculares da violencia ilustrada no filme. E por quê? Porque são os mais subjulgados por policiais corruptos e por traficantes e os mais assediados em época de eleição.  
Pode-se contestar os método nada ortodoxos de lidar com a criminalidade mostrado no filme, mas as pessoas em geral já estão tão fartas de serem acuadas e de escutarem o mesmo papo dos governantes, que já os consideram como razoáveis. E como ser diferente?
Apenas um ponto que me perturba na matéria da revista Veja - que no filme a todo momento culpa-se o "sistema", quando desse também fazemos parte, a partir do momento que nos beneficiamos da sonegação e até mesmo dos subornos. Ok ... concordo ... é fato que a mudança começa pelas atitudes de cada um, mas me pergunto se a deterioração dos valores do povo brasileiro e conseqüência ou conseqüente de um sistema corrupto, caro e ineficiente.  É o dilema do ovo e da galinha. Quem se originou de quem?  

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dark Age

O Ópio

A Al Qaeda assumiu o ataque a uma igreja católica em Bagdá e afirmou que cristãos são alvos legítimos do grupo e irão matá-los onde puder. Isso para mim é mais uma prova de que religiões agem em total desacordo com o que pregam, pois são ineficazes para propagar o bem, ao invés disso querem monopolizar uma verdade que ninguém de fato possui. Na verdade o que está em disputa é somente o poder, para isso arrebanham fanáticos em volta do mundo, que financiam, lutam e morrem com fé na salvação, quando estão apenas defendendo a influencia de uma instituição em relação à outra. Como a história do mundo é cíclica, só espero que neste momento de tantos avanços, esse fanatismo não nos leve de volva a Dark Age.

 

A Ignorância

Esta rolando uma polêmica do cão as mensagens xenofóbicas que rolaram no Twitter após a vitória da Dilma. Darei meu pitaco. Acho honestamente que o pessoal tem uma idéia muito limitada sobre o mundo. Acho válido se manifestar contra ou a favor de determinados políticos, até mesmo se revoltar contra um resultado de eleição, mas questionar a validade ou o motivo dos votos de determinado setor da sociedade, é de uma ignorância tremenda. Esse tipo de atitude compromete até mesmo a legitimidade de oposicionistas valiosos, que possuem idéias progressistas e acabam tendo sua figura ligada a reclamações tão babacas e pequenas. Eu mesmo votei contra o PT não pelo fato da Bolsa Família e sim por discordar da politização de cargos em estatais e do uso da máquina para continuidade no poder. Agora falar o povo nordestino vendeu seu voto por quinquilharia é desconhecer totalmente a realidade brasileira não conhecer a si próprio, pois cada um age por interesse próprio, não venha me falar que alguém bota o seu na reta pelo bem comum, principalmente em São Paulo. Alguns pontos que vale ressaltar:

1º O Brasil ainda é um país pobre, onde existem regiões miseráveis sem qualquer oportunidade de geração de renda, pois além dos problemas sociais há problemas geográficos, parece batida esse história, mas parece que tem gente que não consegue entender que miséria não é traço genético e nem opção de vida. Um auxílio de R$90,00 para uma família sem possibilidade de renda alguma faz muito mais diferença do que o imposto que a maioria costuma sonegar. Essas pessoas são as que mais precisam de políticas a seu favor e ainda cogitam privá-las do direito de votar? Isso é um absurdo. Se votam pelo Bolsa Família é mais que justo, pois votam por algo que precisam e qualquer um faria o mesmo.  Tem um monte de babaca que vota do corrupto do Maluf somente por viadutos.

2º Reclamar da migração de cidadãos de regiões mais pobres para regiões mais prosperas é tão mesquinho quanto reclamar da areia da praia. Vivemos numa federação e cada um tem o direito de ir, vir, morar ou mudar na hora que bem entender e a coisa mais natural do mundo é alguém procurar um lugar mais próspero para morar. Se há isso no Brasil a culpa não é dos retirantes, mas de séculos de política corrupta. Lembremos que faz pouco tempo que temos eleições diretas, antes disso as eleições eram restritas a alguns grupos. Será que esses grupos também não votavam por interesse próprio?

3º A Dilma foi eleita com votos de cidadãos de todo país, na maioria das classes menos favorecidas, portanto tendo maior proporcionalidade no Norte e Nordeste. Isso é comum a governos populistas. Mas não necessariamente todo nortista votou em Dilma e sulista em Serra. Se assim fosse Serra teria ganhado, uma vez que só São Paulo tem 42 milhões de habitantes.   

 


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Guerra das Mídias

Essas eleições marcaram uma grande mudança na mídia brasileira e creio que de agora em diante esse será a nova ordem, veículos tomando uma postura mais explícita em relação a partido A ou partido B. Sempre houve a inclinação de alguns veículos a determinados partidos, mas de modo velado no estilo morde e assopra, agora é morde e morde mesmo, com matérias totalmente parciais e acusativas, um belo exemplo disso são as capas da Veja e Isto É dessa semana.
Por que chegamos a esse ponto? Creio eu que é pela ampla polarização que configura essa disputa em todos os setores da sociedade e por todo interesse que envolve o próximo mandato, mandato da Copa do Mundo. Vale lembrar que nos EUA existe um posicionamento político dos meios de comunicação e dos artistas, mas a diferença é que lá é explicitamente polarizada a disputa. O mais triste é que quando paramos para analisar um pouco mais a fundo a rede de interesses por trás de cada campanha - entristece e desanima.
Um fato muito marcante em nossa história foi a conduta da Globo em relação a ditadura militar e a eleição do Collor. No primeiro caso houve de fato uma aproximação entre o governo e a emissora de Roberto Marinho, sabe-se que esse tipo de aproximação é sempre muito vantajosa para um meio de comunicação, há publicidades do governo, linhas de crédito "especiais" e tráfico de influência, em troca a emissora mais influente do país pode noticiar com mais afinco as obras do governo e ser mais complacente com denúncias. No caso de Collor a Globo realizou inúmeras reportagens, transformando um desconhecido em "Caçador de Marajás". Não sei ao certo que "vantagem Maria levou", mas deve ter sobrado alguma. Após o trágico desfecho de ambas as histórias a Globo parece ter adotado uma linha editorial mais conservadora, evitando favorecer explicitamente A ou B. Sabe-se apenas que a emissora rivaliza coma Igreja Universal do Reino de Deus, postulante a poderosa do momento, que possui a emissora Record (2ª maior) e o partido PR (apóia Lula e Dilma). É Bush x Osama.         
A revista Veja, do grupo Abril, e o jornal Estado de São Paulo, grupo Estado, sempre apoiaram os tucanos. Mas de forma mais suave. Uma denúncia contra o PT aqui, uma reportagem sobre obra tucana ali, mas sempre no morde e assopra. Sabe-se que um grupo sempre representa uma camada da sociedade, no caso das duas mídias citadas podemos relacionar a várias, mas principalmente ao empresariado e a classe média paulista, que é também a base do PSDB. Com a gradativa perda de poder desses, não só na esfera federal, mas também municipal e estadual, a reação tem sido agressiva. O PSDB tem buscado alianças em setores mais conservadores da sociedade e as tais mídias por sua vez, partem para o ataque, denunciando e tentando colocar o adversário em situação desconfortável em relação a temas polêmicos.
A revista Carta Capital sempre teve uma linhagem mais de "esquerda". Seus colunistas, em grande parte, são intelectuais ligados ao PT. Não era de se esperar um posicionamento neutro em uma eleição tão acirrada. Há algumas denúncias que a revista tem sido favorecida com publicidades do governo federal, o que não me surpreende, afinal, não seria um modo oportuno de se manter um meio de comunicação aliado? O que mais me surpreendeu foi o posicionamento da revista Isto É. Pode ser falha e memória de minha parte, mas não me recordo de a publicação ter se mostrado tão a favor ao PT assim em outras ocasiões. O que sei é que recentemente a Editora Três passou por grandes dificuldades financeiras, inclusive entrando em processo de recuperação judicial. Como diz o ditado: A ocasião faz o ladrão. Não seria de assustar se esta postura vem sendo conveniente. Afinal, onde há poder, há oportunistas.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A obra-prima da publicidade brasileira.



Pode-se até questionar se o jornal anunciado merece ou não o crédito anunciado, mas sem dúvida essa é uma das melhores propagandas já feitas no Brasil. É incrível que cada vez que a assisto a acho mais atual e brilhante, talvez porque vivamos no tempo do país das maravilhas, onde a publicidade governamental age como um placebo, levando o povo a crer em mudanças mesmo vivendo os mesmos problemas.
Poucas pessoas conseguem perceber que o Brasil desenvolve-se de modo torto, assim como outros tantos países em desenvolvimento pelo mundo, como o México, China e Índia. Fico inconformado quando escuto - em pouco tempo a China tomará o posto dos EUA. Cara, pode vir com o discurso marxista que quiser, mas responda sinceramente: Você preferia morar na China ou nos EUA?
Esses dias escutei a Dilma falando: "O Brasil já cresceu muito, agora minha meta é tornar o país desenvolvido de uma vez por todas." Desculpa minha querida Dilma, mas de onde você tirou que estamos a um passo de nos tornarmos um país desenvolvido? Das propagandas do governo?
Alguém por exemplo imagina assistir um rotineiro arrastão nas ruas de Frankfurt? Cidadãos morrendo na espera de atendimento nos hospitais da Dinamarca? Jovens fumando crack sentados nas calçadas no centro de Londres? Ou então fazer compra em um shopping de produtos piratas e contrabandeados em NY?
Ostentamos gravíssimos problemas sociais que já passam despercebidos e se misturam com a paisagem do dia-a-dia.  "Olha, para se chegar na Santa Efigênea, você vai virar a esquerda, passar por um pessoal fumando crack, depois um posto policial, vire a direita, siga até um bar com umas máquinas caça-níquel de fundo, atravesse a rua e você chega na Santa Efigênea. Lá você vai encontrar o Office Pirata que você quer e a coletânea do Doors em mp3."
A corrupção por aqui se instaurou em todas as instituições, tanto estatais como privadas. Sempre existem dois modos de conseguir as coisas: o certo e lento, ou o errado e rápido. A coisa é tão descarada que algumas empresas já reservam dinheiro para "caixinha" do fiscal. Denúncias nos jornais são inúmeras, mas as pessoas não ligam, ou pior, nem lêem, pois o entendimento de tais notícias é quase impossível para uma população com um índice tão alto de analfabetismo funcional. Faça um teste, pergunte para 10 universitários o significado dos termos: esquerda e direita na política. Com tudo isso a impunidade impera em águas calmas.
Existe aquela conta de que trabalhamos 5 meses do ano para se pagar impostos, mas se calcularmos o quanto trabalhamos para pagar pela inoperância do estado, esse número se multiplicará por 2. Pagamos pela saúde pública, mas temos que desembolsar pelo menos R$ 200,00 por mês para um plano de saúde; Pagamos pela segurança, mas temos de pagar no mínimo R$1500,00 por ano para seguro de carro; Pagamos IPVA para a conservação de nossas vias, mas na cidade enfrentamos buracos, motoboys, falta de sinalização e congestionamentos terríveis, e nas estradas pedágios e mais pedágios.
Mesmo com tudo isso, as propagandas governamentais repetem como mantras: "Lá fora só se fala do Brasil"; "Somos o país mais desenvolvido da América do Sul, mais do que a Argentina"; "O Barak Obama falou que o Lula é o cara"; "Seremos um dos principais fornecedores de petróleo no mundo"; "O Brasil negociará a paz no Oriente Médio". E assim vai.   
Ao menos podemos nos orgulhar de uma coisa. Nossos publicitários são realmente muito bons.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Rivalidades

Para quem acha que rivalidade de futebol é apenas Grêmio x Inter, Cruzeiro x Atlêtico, veja só esse ranking elaborado pela CNN. Para se ter uma noção mais exata da coisa, alguns times representam facções políticas, religiosas e étnicas e a rivalidade extrapola o esporte. Um belo exemplo disso pode ser visto na partida Itália x Sérvia em Genova, onde a torcida sérvia barbarizou impedindo a realização do jogo. A bagunça foi causada pela torcida organizada ultranacionalista - Tigres de Arkan do Estrela Vermelha - e liderada por Ivan Bogdanov, este que inclusive já possui um passado militar no conflito da Bósnia, onde o então exército sérvio foi acusado de promover uma tentativa de limpeza étnica na região. Ivan declarou que a revolta não era contra a Itália e sim contra a Federação Sérvia e também contra goleiro da seleção, revelado no Estrela Vermelha e que assinou recentemente com seu maior rival, o Partizan. Para entender melhor leiam: http://espnbrasil.terra.com.br/maurocezarpereira/post/153951_VIDEO+VIOLENCIA+DE+HOOLIGANS+SERVIOS+E+ALEM+FUTEBOL+CONHECA+A+HISTORIA     

 

Segue abaixo a tal lista:

  

1º. Celtic x Rangers, Escócia
2º.
Lazio e Roma, Itália
3º. Boca Juniors x River Plate, Argentina
4º. Al Ahly x Zamalek, Egito
5º. Galatasaray x Fenerbahce, Turquia
6º. Olympiakos x Panathinaikos, Grécia
7º. Red Star Belgrade x Partizan Belgrade, Sérvia
8º. Wydad x Raja Casablanca, Marrocos
9º. Corinthians x Palmeiras, Brasil
10º. Peñarol x Nacional, Uruguai

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rapidinhas do Feriado

AC/DC
A revista Pollstar divulgou a lista das 100 turnês que mais venderam ingressos em 2010. Merecidamente o AC/DC aparece em 1º lugar com mais de 1,8 milhões de ingressos vendidos, a frente de Bon Jovi, Lady Gaga,Black Eyed Peas,  Justin Bieber, etc. Quem quiser conferir, acesse: http://www.pollstarpro.com/specialfeatures2010/2010ThirdQuarterYTDTicketSalesTop100Tours.pdf  
Mineiros do Chile
Emocionante o resgate dos mineiros no Chile. Torço para que os 33 sejam salvos e que não apresentem problemas de saúde. O trabalho em minas é um dos mais duros, subumanos e desgastantes que existe.  
SBT
Por questões profissionais, tentei assistir um pouco de SBT neste fim de semana. Em época de televisões de alta definição, 3D e programas interativos, assistir Ana Raio e Zé Trovão é deprimente. Jesus do céu, como o Silvio deixou a sua emissora parar no tempo desse jeito. Alguém pode me dizer – mas o cara é milionário e você não tem dinheiro nem para cagar na 25 de março – para mim é pior ainda, pois se ele fosse um quebrado ainda teria desculpa pelo retrocesso que é a emissora. O que mantêm a lucratividade é o mesmo público cativo de 20, 30 anos atrás e esses já até evitam olhar para o céu com medo de serem chamados.
Debate de sexta-feira
Assistir o último debate de candidatos a presidente, promovido pela Bandeirantes, me deixou extremamente desanimado, decepcionado e revoltado. Se em outras eleições tínhamos uma posição e uma oposição, nessa temos de um lado presidente que blindado pelo seu alto índice de popularidade, desrespeita as leis eleitorais e dedica a máquina federal a eleger uma sucessora que jamais exerceu algum cargo eletivo; do outro um candidato que até possui uma longa trajetória política sob a linhagem tucana, neste caso opositor, mas que teme, teme pra caralho, se expor contra a figura central oponente (Lula) e foca na pupila (Dilma), evitando o confronto de posições políticas. O resultado são campanhas ideologicamente esvaziadas, com posicionamentos volúveis e orientados por marqueteiros. Ou alguém arrisca a dizer o que Serra e Dilma realmente pensam?
O que mais me chocou foi um momento que Serra perguntou a Dilma sobre o loteamento político de cargos em estatais. A Petista respondeu: "Gostaria que você me respondesse também, sobre fulano, ciclano e beltrano do PSDB e do DEM, que também ocupa cargo em estatais por indicação do PSDB."  Ela em nenhum momento falou que iria acabar com isso ou que era contra, apenas quis dizer que o outro lado também adota essa prática, em suma, continuará a mesma coisa.
Tiririca
A justiça está mesmo disposta a provar que Tiririca é analfabeto e assim tirá-lo do cargo. Pergunta: Por que não fizeram tal investigação antes de ele se eleger com mais de 1,4 milhões de votos?
Correr atrás agora é até feio e conota certo oportunismo da justiça, querendo mostrar serviço em hora errada. Sendo ele caçado, que aconteceria com quase 1,5 milhão de votos? Seriam anulados ou serviriam para eleger mais canalhas sem a legitimidade das urnas?
Acho eu que agora o Abestado tem de assumir. Os eleitores não quiseram fazer graça de votar nele? Então! Agora segura o B.O? Afinal, que diferença faz ele saber ler e escrever, alguém esperava algo produtivo dele?

Serra x Dilma
Está sendo ridícula a campanha de José Serra. Fazer propaganda contra privatizações? Isso soa tão falso como propaganda de cerveja pedindo para beber com moderação. Sou 100% a favor de privatizações e esse é um dos motivos de eu votar no PSDB, creio que seria mais honesto e produtivo mostrar os benefícios das privatizações. Outra falha moral está sendo essa insistência em atacar a oponente por meio religioso através do aborto. Lamentável essa postura! Será que o Serra é tão fervoroso católico e contra a discriminalização? Lembremos que se fosse pela igreja, nem pesquisa embrionária com células-tronco teríamos, e que legalizado ou não, o aborto prossegue sendo praticado em clínicas clandestinas por todo país.
Do outro lado, Dilma tem se mostrado excessivamente preocupada com a tática adversária. A candidata tem tentado a todo custo provar que ela é religiosa e contra o aborto, mesmo existindo um vídeo em que ela defende a discriminalização. Falta apenas ela vir à televisão com um véu na cabeça e se auto-flagelar em cadeia nacional. Dilma - um toque para você - Para com isso. Mantenha sua opinião e tente defendê-la se for o caso.   

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O fim dos bordões

Ao contrário de muitos que bravejam que a mídia só tem produzido lixo e que nos programavas de TV e rádio só tem futilidades, pessoalmente ando muito otimista e satisfeito com os novos rumos da indústria do entretenimento. Nunca na história pessoas desconhecidas tiveram tanta oportunidade de divulgarem seu trabalho e nunca tivemos tantas opções de bons programas na TV aberta como temos hoje. Claro que alguém irá alegar: "Mas e o Gugu, Faustão, Hebe..." - mas a mudança meus amigos, está sendo gradativa, e esses são programas da velha televisão brasileira.

Acredito que esse processo vem sendo influenciado por duas importantes variáveis:

- A primeira é a segmentação da audiência. Já há algum tempo o mercado busca a customização e segmentação dos produtos e serviços e isso não poderia ser diferente no entretenimento. Aquela fórmula de comunicação homogênea dos grandes programas de auditório perde espaço à medida que as pessoas buscam cada dia mais a identificação com um grupo e não com a massa;

- A segunda, e sem dúvida mais importante, é a internet. Ela criou novos canais de comunicação e divulgação. Ela possibilitou pessoas de vários locais do mundo, com interesses e perfis semelhantes, interagirem, com isso o processo de formação de grupos acelerou, impondo que os meios de comunicação encontrem novos formatos. Mais importante que isso, ela está invertendo um processo secular onde a mídia impunha o que as pessoas deveriam ler, assistir e escutar. Hoje, através de ferramentas como Youtube, Twitter, Facebook e Programas P2P, cada um cria seu conteúdo e divulga, por vezes de forma espontânea isso repercute e se espalha de modo viral e vira Hit, tendo a grande mídia que render-se e abrir espaço para esses novos famosos.

Um bom exemplo disso é na comédia. O humor brasileiro sempre teve como característica os famosos "BORDÕES", aquelas frases – "Só porque sou pequeninho!"; "Nos míiiiinimos detalhes!" – marcantes por personagens do Chico Anísio ou Praça é Nossa. Creio ser uma fórmula antiga e desgastada, mas ainda tem predileção em emissoras mais tradicionais e por inércia agrada a família brasileira através de programas como Zorra Total e A Praça é Nossa. Nos últimos anos surgiram ótimos programas de humor com um formato totalmente novo, que ganharam espaço em emissoras menores com mais liberdade de programação. Na RedeTV temos o pânico na TV, programa já consagrado na rádio, que conseguiu migrar para televisão de forma genial. O programa é um sucesso e já ostenta números expressivos de audiência no domingo, principalmente do público jovem. Suas sacadas e brincadeiras são repercutidas espontaneamente através da rede e se tornam febres nacionais – quem não se lembra da seleção de vôlei comemorando com a Dança do Siri o título olímpico em frente as câmeras da Globo?  Na Band destaca-se o CQC, formato importado pela emissora que tem como característica principal a acidez e as denuncias. Trata-se de um humor mais politizado mas não menos engraçado. É sucesso de audiência nas noites de segunda e suas matérias geram enormes polêmicas e em alguns até processos. Por último tem a MTV, essa sim sempre inovadora em matéria de humor, até por ostentar a maior liberdade de programação entre todas emissoras (está eu aqui de novo falano da MTV..rs). Seus programas não alcançam audiências expressivas, mas são inspiradores. A emissora foi a primeira a abrir espaço para famosos da internet. Detalharei melhor os programas desta emissora, pois creio que seja o semem do novo humor brasileiro:

- Hermes e Renato: Turma de amigos que enviaram vídeos amadores para emissora, ganharam espaço, fizeram sucesso e conquistaram um espaço fixo na programação. Quadros e personagens hilários. Humor escrachado ao extremo, com palavrões e produções toscas. Infelizmente assinaram com a Record e apagaram. Impossível um humor tão sujo se tornar politicamente correto;

- Furo MTV: Programa com um formato já muito famoso nos EUA, com humoristas comentando as notícias da semana, porem apresentado com muita competência por Bento Ribeiro e Dani Calabresa (também apostas da MTV). Ótimo programa que conseguiu transformar Bento Ribeiro de ator canastrão de novela da Globo em humorista carismático e não menos canastrão;

- Comédia MTV: Reúne ótimos comediantes, com destaque a Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Tata Wernec e Bento Ribeiro. Oscila de quadros engraçados para outros nem tanto, mas uma boa opção de humor;

- 15 Minutos: Revelou Marcelo Adnet como comediante muito versátil e talentoso. Programa simples e engraçado;

- Badalhoca: Sucesso do Youtube que ganhou espaço na MTV. É hoje meu programa de humor predileto. Sem nenhuma produção, mas muito engraçado. Ronald Rios é sensacional.

Creio que nesse processo, alguns meios de comunicação estão perdendo espaço e ficando para trás, principalmente o SBT que desde os anos 80 mantêm a mesma forma de entretenimento. Seu público cativo está envelhecendo e não há renovação.

Bom... acho que me estendi demais, mas em suma é isso. Um brinde aos novos tempos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

It’s Evolution Baby!

A MTV (Music Television) iniciou suas transmissões no Brasil em 1990 com uma programação totalmente dedicada a música, inaugurando um formato inovador focado no público adolescente. Desde sua inauguração diversas tendências explodiram e passaram, por exemplo, no início dos anos 90 a moda eram bandas como Faith no More, Red Hot Chili Peppers, Metallica, Guns and Roses e Ugly Kid Joe, no rock nacional tínhamos Legião Urbana, Titãs, etc. Mais adiante, já na minha adolescência, estourou o Grunge e o Punk Rock Californiano, revelando bandas como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Sound Garden, Smashing Pumpkins, Green Day e Off Spring, já no rock nacional Raimundos e Planet Hemp eram as que mais se destacavam. As apresentações do VMA (Video Music Awards) e VMB (Vídeo Music Brasil) eram memoráveis. Quem da época não se lembra do Nirvana destruindo todo o palco do VMA de 92? Ou dos Raimundos tocando Quero ver o Oco no VMB de 96? Claro que se forçarmos um pouco a memória, que tende a ser seletiva, lembraremos que em meio a isso tudo também surgiu muita porcaria: Back Street Boys, Os Ostras, etc.  

Aposto que se você é da mesma época que eu, deve pensar: "Puta merda, que saudade! Aquilo sim que era música." Mas aposto também que um velho roqueiro, que pegou a época de Led Zeppelin, The Doors, Black Sabath, deveria achar tudo aquilo uma merda!!!

A vida é assim mesmo, tendemos sempre a achar que tudo "da nossa época" era mais puro, menos comercial, mais atitude e de mais qualidade. Tem gente que ao ver um Emo hoje diz: "Que ridículo!" Mas se esquece que um dia os adolescentes pintavam o cabelo de verde e faziam moicanos com sabonete; ou andavam só de preto e freqüentavam cemitérios; ou até mesmo usavam cabelos compridos, calças agarradas e acessórios com imagens do diabo.

Voltando a MTV, é fato que o canal tem e sempre teve como target o público Teen, pode-se comprovar isto assistindo programas como Scrap, por exemplo. Não quer dizer que outros públicos não possam e não devam assistir - a MTV tem tradição em produzir bons programas de humor e variedades que pessoalmente gosto muito - mas é inegável que a programação musical é Teen e se você tem minha idade e assiste o canal, lembre-se sempre disso. Digo isso porque após o último VMB li e ouvi inúmeras pessoas reclamando pelo fato do Reestar ganhar o principal prêmio, e não entendo e nem concordo com essa indignação. Não curto, mas o fato é que o Reestart, assim como Fresno, NX Zero e Cine, são as bandas que os adolescentes de hoje curtem e nada mais justo do que eles ganharem. Antes de xingar e reclamar, atente-se que seu tempo já pode ter passado e que você não é mais um Teen... fazer o que?  É a vida! O Rodolfo virou crente, João Gordo está na Record, o Curt morreu, playboys escutam RAP, o Edgard apresenta Busão do Brasil, Ozzy e o Gene Simons participam de reality show, a Alessandra Negrini já não é tão gostosa, e assim vai meu amigo. Agora deixa a molecada de hoje viver sua fase e pare de encher o saco. Também já entrei nessa onda de ficar pegando no pé, contestando as bandas de hoje, mas me toquei que as coisas mudaram e tem que ser assim – It's Evolution Baby!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A destruição de uma imagem

Na antiguidade, muito antes de Cristo, existiu uma importante cidade chamada Cartago, que dominou boa porção do Mar Mediterrâneo, incluindo o norte da África e algumas regiões da Europa Mediterrânea. Foi uma enorme potência que na época disputava com Roma o controle da já citada região. Possuía marinha e arquitetura bem avançada para os padrões da época, dentre outras tecnologias bélicas e civis por eles criadas.
A cidade travou 3 guerras de grandes proporções com Roma e por fim fora totalmente aniquilada, inclusive tendo Roma feito questão de destruir por completo todos alicerces da cidade e salinizando seu solo, para que jamais nada ali crescesse. Mas talvez a maior destruição imposta por Roma viesse posteriormente, com a difamação e destruição da imagem de Cartago pelos séculos que se seguiram. Sem resquício algum de uma sociedade avançada, Cartago ficou conhecida como uma civilização bárbara, cruel, supersticiosa e moralmente atrasada.  Roma absorveu toda tecnologia e jamais creditou aos Cartagineses seus devidos méritos. Apenas recentemente com os avanços da arqueologia, os historiadores têm "redescoberto" Cartaga e conseguido reescrever sua história.
Apenas contei um pouco dessa história de forma amadora, para tentar entender a demonozição de FHC. Fernando Henrique Cardoso, uma sumidade intelectual, foi presidente do Brasil por 8 anos (1994 - 2002) e o responsável pela estabilidade de nossa moeda (Plano Real), que desde a década de 60 ostentava índices crescentes e absurdos de inflação, dignos de países pós-guerra. Também não pretendo explanar sobre economia, que poço entendo, mas o fato é que FHC acabou com uma inflação que pelo menos 8 presidentes anteriores, com inúmeros planos desastrosos, não conseguiram acabar.
Não sou tão velho assim, mas por sorte ou azar, precocemente me interessei por política. Lembro que na minha infância meu pai tinha de fazer despesas mensais tão logo viesse o dia de pagamento, pois de um dia para o outro os preços subiam e o salário desvalorizava. Os supermercados ostentavam filas imensas, de famílias com 2 ou 3 carrinhos. Era o tempo da SUNAB, das listas de compras, das etiquetações frenéticas das disputa por vagas nos hipermercados (inimaginável para alguém que nasceu depois de 1993). Também me recordo dos preços dos telefones, valiosíssimos, trocados até mesmo por automóveis. Havia uma lista de espera imensa para ser contemplado com uma linha, mesmo pagando caro. E o atraso tecnológico então! Na primeira vez que estive no Paraguai, por volta de 1989 (olha o nível da coisa..rs), pensei ter saído da Idade Média direto ao Renascimento.  Vídeo-Cassetes 4 cabeças, aparelhos de Som 3 em 1, Video-Games, televisões modernas, além das outras centenas de bugigangas que nem imaginávamos ter acesso.  No final de 1990, em uma medida extrema para tentar conter a inflação, o então presidente Collor confiscou a poupança (sem trocadilhos) dos brasileiros, foi a maior violência que presenciei de um governo para seu povo, levando em consideração que todo brasileiro tinha seu dinheiro em poupança para preservá-lo da inflação. Esse mesmo presidente anunciou que abriria o mercado nacional e que aqui só andávamos de carroça, então ele trouxe a Lada – não preciso falar mais nada.
      O resto da história já sabemos – Impeachment, Itamar Franco, ministro FHC e finalmente Plano Real.
Foi com essa base que FHC foi eleito presidente da república em 1994. Em um curto espaço de tempo revolucionou MUITO a economia brasileira. Conseguiu conter e manter a inflação estabilizada, privatizou estatais com destaque na telefonia e extração de minérios. Concedeu as chamadas "bandas" para celulares, que permitiu a livre concorrência e a modernização do setor (mesmo que ainda muito prejudicada pela alta carga tributária). Com o dinheiro mais valioso, no início até mais que o dólar, o brasileiro passou a ter acesso ao que tinha de mais moderno no mundo. Claro que ocorreram falhas, principalmente pelo excesso de cautela ao conter a inflação e os processos nebulosos de privatização. Como era de se esperar os setores de esquerda, incluindo o PT, bradavam contra a política econômica de FHC, pichando muros e mobilizando os sindicatos. Justo, tendo como prerrogativa que no socialismo o lance é estatizar e não privatizar. FHC passou por uma forte crise econômica mundial que acabou afetando em cheio o Brasil, que na época era muito suscetível ao câmbio do dólar. Mas uma vez reforço minha ignorância em economia, portanto não posso julgar suas ações nessa época, mas o fato é que havia sempre um medo extremo e se voltar a inflação. 
Nesse cenário Lula surgiu, re-estilizado por Duda Mendonça, como a mudança e foi eleito em 2002. Desde então o que se viu foi uma aniquilação de FHC para política brasileira, mesmo tendo Lula herdado um país muito melhor do que FHC herdara. Lula e o PT demonizaram FHC, transformaram-no numa figura nefasta da política nacional. Constantemente comparavam números incomparáveis, assim como seria se FHC fizesse o mesmo com o Governo Collor, afinal, o Brasil é país em desenvolvimento assim como Chile, Índia, China, México e outros. Aproveitando da ignorância política do brasileiro, transformaram em ofensa termos como: neoliberalista e capitalista. Hoje chamar alguém de neoliberalista, equivale a chamá-lo de fascista ou coisa que o valha, pessoas repetem esse termo como papagaios sem ao menos saber o que é de fato um neoliberalista. Reconheço a astúcia de Lula e de seus marqueteiros, principalmente pela sua capacidade populista e multi-facial. Ele prosseguiu com política econômica de FHC, corrigindo alguns erros, mas mantendo o apoio dos que eram radicalmente contra essa política. Consegue circular ao lado de figuras como Sarney, Collor e Renan e ainda discursar contra latifundiários e coronéis. Lula nunca deixa de citar o governo passado, mesmo tendo passado 8 anos ele ainda continua jogando sal no terreno tucano. O PT tal qual o império Romano, investiu pesado em publicidade anti-FHC e aparentemente obteve sucesso, tendo em vista que até o candidato tucano José Serra que ganhou projeção também como Ministro da Saúde de FHC, evita citar seu coopartidario. Lula hoje atingiu status de messias e FHC de tirano, Lula é capaz de indicar até Osama Bin Laden para votação e esse ganhar, já FHC é escondido pelo PSDB, aparecendo discretamente em algumas campanhas. O reflexo disso pode ser visto nas recentes eleições, políticos que apoiaram FHC hoje se juntam a Lula, como se esses mesmo tivessem subido com Lula em carros de som em frente a Volkswagen e são capazes de jurar por suas mães que jamais gostaram de FHC. FHC era taxado como presidente que só viajava. Até o Casseta e Planeta infamiamente, como é característico de seu humor, o apelidou de Viajando Henrique Cardoso. Já Lula, que passou muito mais tempo viajando e em palanques de seus apoiados, jamais teve tal rótulo. Chamam FHC de sociólogo traidor, mas não falam de traição maior de Lula a sua causa socialista. Se o governo FHC tivesse a metade dos escândalos de corrupção que tiveram o governo Lula, nossos "intelectuais" já teriam exigido sua crucificação. Hoje defensores de FHC são chamados de reacionários, burgueses, imperialistas como se estivessem reagindo a uma verdadeira reforma Stalinista. Desfruta-se dos benefícios da privatização, mas como um prazer culposo, pois legal mesmo são estatais.
Talvez daqui muitos anos, historiadores redescubram FHC como um reformista e Lula como um populista, tal quais seus amigos Chaves, Evo e Lugo.