Essas eleições marcaram uma grande mudança na mídia brasileira e creio que de agora em diante esse será a nova ordem, veículos tomando uma postura mais explícita em relação a partido A ou partido B. Sempre houve a inclinação de alguns veículos a determinados partidos, mas de modo velado no estilo morde e assopra, agora é morde e morde mesmo, com matérias totalmente parciais e acusativas, um belo exemplo disso são as capas da Veja e Isto É dessa semana.
Por que chegamos a esse ponto? Creio eu que é pela ampla polarização que configura essa disputa em todos os setores da sociedade e por todo interesse que envolve o próximo mandato, mandato da Copa do Mundo. Vale lembrar que nos EUA existe um posicionamento político dos meios de comunicação e dos artistas, mas a diferença é que lá é explicitamente polarizada a disputa. O mais triste é que quando paramos para analisar um pouco mais a fundo a rede de interesses por trás de cada campanha - entristece e desanima.
Um fato muito marcante em nossa história foi a conduta da Globo em relação a ditadura militar e a eleição do Collor. No primeiro caso houve de fato uma aproximação entre o governo e a emissora de Roberto Marinho, sabe-se que esse tipo de aproximação é sempre muito vantajosa para um meio de comunicação, há publicidades do governo, linhas de crédito "especiais" e tráfico de influência, em troca a emissora mais influente do país pode noticiar com mais afinco as obras do governo e ser mais complacente com denúncias. No caso de Collor a Globo realizou inúmeras reportagens, transformando um desconhecido em "Caçador de Marajás". Não sei ao certo que "vantagem Maria levou", mas deve ter sobrado alguma. Após o trágico desfecho de ambas as histórias a Globo parece ter adotado uma linha editorial mais conservadora, evitando favorecer explicitamente A ou B. Sabe-se apenas que a emissora rivaliza coma Igreja Universal do Reino de Deus, postulante a poderosa do momento, que possui a emissora Record (2ª maior) e o partido PR (apóia Lula e Dilma). É Bush x Osama.
A revista Veja, do grupo Abril, e o jornal Estado de São Paulo, grupo Estado, sempre apoiaram os tucanos. Mas de forma mais suave. Uma denúncia contra o PT aqui, uma reportagem sobre obra tucana ali, mas sempre no morde e assopra. Sabe-se que um grupo sempre representa uma camada da sociedade, no caso das duas mídias citadas podemos relacionar a várias, mas principalmente ao empresariado e a classe média paulista, que é também a base do PSDB. Com a gradativa perda de poder desses, não só na esfera federal, mas também municipal e estadual, a reação tem sido agressiva. O PSDB tem buscado alianças em setores mais conservadores da sociedade e as tais mídias por sua vez, partem para o ataque, denunciando e tentando colocar o adversário em situação desconfortável em relação a temas polêmicos.
A revista Carta Capital sempre teve uma linhagem mais de "esquerda". Seus colunistas, em grande parte, são intelectuais ligados ao PT. Não era de se esperar um posicionamento neutro em uma eleição tão acirrada. Há algumas denúncias que a revista tem sido favorecida com publicidades do governo federal, o que não me surpreende, afinal, não seria um modo oportuno de se manter um meio de comunicação aliado? O que mais me surpreendeu foi o posicionamento da revista Isto É. Pode ser falha e memória de minha parte, mas não me recordo de a publicação ter se mostrado tão a favor ao PT assim em outras ocasiões. O que sei é que recentemente a Editora Três passou por grandes dificuldades financeiras, inclusive entrando em processo de recuperação judicial. Como diz o ditado: A ocasião faz o ladrão. Não seria de assustar se esta postura vem sendo conveniente. Afinal, onde há poder, há oportunistas.

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